Sofrer é pura picuinha

Eu tenho fé porque a vida é constante e mutável. Tudo é formado por pequenas peças, encaixes. Eles podem ser chamados de átomos, energias, emoções ou atitudes, não importa o nome que damos. A cada movimento de um desses elementos, o todo muda.

O que nos faz capaz de sermos atores, mesmo que pequenos, dentro do espetáculo do universo. Eis a importância de vigiar o que fazemos com a gente mesmo, com o nosso corpo, com a nossa alma, com os outros. Tudo tem boas e más consequências.

O meu melhor plano de visão é ter fé em Deus. Essa massa de energia que que luta para nos equilíbrio.

A natureza da minha alma é amar e evoluir, andar para frente, sempre. Basta ter consciência disso para que a nossa vida seja feita de eternos passos adiante. Tudo vai sempre resultar em um algo melhor.

O sofrimento, dentro dessa visão, é só pura picuinha.

A Terra vista do espaço

Pedro passava as horas do dia tentando resolver seus problemas. Financeiros, amorosos, profissionais. Seus últimos exames também não davam boas notícias. Pedro precisava se cuidar mais, comer melhor, caminhar, olhar o sol. Ele precisava mudar tudo.

À noite, para dormir melhor, ele leu um artigo sobre o que fazer nesses tempos de crise. Nada poderia ser mudado de um dia para o outro, era preciso saber esperar. Aquelas linhas de conselhos, no entanto,  deram a ele um pouco mais do que um simples pedido de paciência.

“Pare e sonhe. Não importa o quanto a sua vida está confuso. Sonhe!” Pedro não entendeu o pedido ou já não tinha forças para sonhar. Caiu no sono e sonhou.

Um homem se aproximou dele e disse: “Voe até Júpiter”. Em seus sonhos, Pedro imediatamente construiu uma nave, atravessou todas as camadas do nosso céu, pairou no espaço por um tempo até encontrar Júpiter.

Do espaço, Pedro viu, bem de longe, a Terra. Seus problemas, seus medos, seus desamores. Tudo estava lá, bem longe.  Quanto mais ele se afastava daqui, menores ficavam os seus anseios deixados neste planeta.

Era tudo questão de ponto de vista. Pedro acordou na Terra, mas lembrou de empurrar para longe os seus maus pensamentos. E, assim, ficou mais fácil de resolvê-los.

texto inspirado por:
esse outro texto da revista Darling
e por esse filme:

O que ela quer?

Eu ouvi aquela menina por dez minutos. Fiquei emocionada, confiante no futuro que virá e sobre as boas angústias dessa juventude. Em nenhum momento, eu parei para pensar se aquilo soava correto, se ela estava com boas intenções ou se ela estava sendo manipulada por algum jogo sujo.

Aí, eu li e ouvi alguns comentários sobre tudo isso e não parei de pensar. A cada momento, os meus pensamentos questionavam cada palavra daqueles que se jogaram contra ela ferozmente. Uma menina que fala tão bem e de forma tão emocionada com certeza tem crenças, sonhos, vontade de mudar. Uma menina que fala de uma maneira dessa, lê livros, lê jornais, interage com políticos, é formadora de opinião dentro de seu grupo.

O que ela pede? Uma escola mais justa e melhor. Vagas perto de casa que não prejudiquem aqueles que podem ter um dia em que não há um real para chegar à escola (nem todos os estados dão gratuidade no transporte público aos estudantes). Ela sabe que sem uma boa educação, ela será facilmente manipulada, ela não terá um bom emprego. Trabalhará como escrava e não terá tempo de mudar o mundo – o que seria uma perda de tempo para alguém com tanto potencial. Ela só pediu coisas boas e faz um julgamento que é fácil para quem vive no Brasil – sim, a maioria dos políticos têm as mãos sujas de sangue (porque também não dão um tratamento à saúde que seu povo merece, não dão condições de trabalho para que ele possa realmente escolher um caminho).

Manipulada? Ela não. Todos nós somos manipulados de alguma forma a acreditar nisso ou naquilo para que alguém tenha mais lucro ou mais votos. Achar que ela é manipulada por algumas ideias até faz sentido. O que não faz sentido é achar que o que ela pede é ruim. Tudo o que ela quer é poder estudar em uma escola minimamente decente, com professores bem pagos, com bons livros, com harmonia entre os colegas, em um ambiente de crescimento e pensamentos.

Enfim, o que ela pode querer de tão errado?

Plenitude

Estar pleno é

respirar fundo

fechar os olhos

e não sentir nada

nada além de paz

 

E gratidão,

a palavra da moda

que ora parece

ser só uma palavra

ora se transforma

em um sentimento

profundo

de estar grato

Grato

por respirar em paz

mesmo que

um ar impuro

 

Autocrítica

Gente que xinga
Gente que grita

Odeio

Sou muito mal-humorada
Eu tenho permissão para ser

Mas você não tem autorização pra falar nesse tom
Só eu posso
Falar no tom que o meu humor escolher
Porque hoje eu sou
Estou melhor que antes

Os Sindicos

Entre-Girassois

Eu estava viajando a pé, trilhando meu caminho, quando dei de cara com um grande portal: “Seja bem-vindo a Girassóis”.

Entrei em um corredor formado, claro, por girassóis. Um jardim belo que dava para uma grande praça. Decidi explorar a cidade, já que se passava das 5 horas e eu não queria acampar pela estrada. Nunca se sabe que tipo de animal selvagem podemos  encontrar por esses caminhos.

A cidade parecia vazia. Apertei mais uns passos para encontrar um restaurante para comer ou uma hospedaria para largar as malas.
Encontrei um café, com quase todas as mesas ocupadas. Vi um espaço que parecia confortável para mim e a para a minha mochila. Puxei a cadeira e sentei, já imaginando um belo café expresso.

– boa tarde, senhor. O que deseja?

– um café puro, por favor. E algo salgado para acompanhar, o que você tiver de melhor

– claro. O senhor vai adorar nosso pão caseiro.

A comida chegou, degustei tudo aquilo em paz e decidi partir em busca de uma acomodação. Ao levantar, vi a placa que pedia para as migalhas do pão em um balcão de madeira, que ficava sob a janela. Lá, passarinhos passavam para se alimentar.

Chamei o garçom:

– a minha conta, por favor? O senhor também saberia dizer onde há um hotel ou hospedaria?

– claro, o único hotel da cidade fica no alto da colina. Basta seguir reto nessa mesma rua que o verá logo a frente. Ah, não se preocupe com a distância. Em cidades pequenas, nada é longe.

Saí na rua e, pela primeira vez, me dei conta de que não havia carros. Olhando com um pouco mais de cuidado, vi bicicletas e uma espécie de charrete com pedais.

Andei duas quadras, e o suor começou a escorrer pela minha testa. Tratei de enxuga-lo quando vi uma bela moça que estava regando as plantas de um canteiro da calçada. Assim que passei, abri um sorriso, e ela correspondeu.

– Boa tarde! Só queria me certificar de que estou no caminho certo para a colina.

– claro que está. Vejo que o senhor não é daqui, não é? Carregando essa pesada bagagem nas costas…

– sim, venho de longe, explorando o sul. Aliás, que cidade agradável, já tenho vontade de passar mais dias por aqui. Bom, vou andando antes que o sol se ponha.

– já que gostou da cidade, não se canse. Veja ali naquela esquina, aquela carrinhola está perfeita para quem tem bagagens

Eu fiquei olhando em volta, tentando entender onde estava o motorista ou o dono daquele objeto móvel, até que perguntei:

– como faço para poder usá-lo?

– Bom, o senhor coloca as malas naquela parte coberta, depois sobe no banco e começa a pedalar. ..

– constrangido, perguntei se alguém não sentiria falta da carrinhola. Ela explicou que elas estavam todas à disposição dos moradores, só não era permitido atravessar os portais de Girassóis com eles.

Muitas perguntas se passaram pela minha cabeça naquele momento. Quem controlava esse uso? Quem fiscalizava a fronteira? Que loucura toda era aquela?

Enfim, decidi fazer o que a moça sugeriu. Peguei a carrinhola e pedalei em direção à colina. Ainda bem, pois logo pude ver um grande casarão no topo da montanha. Ganhei ânimo e apertei a pedalada.

A explicação

Acordei e me deparei com um livreto sobre a cidade, para os poucos turistas da hospedaria.

“Girassois, a primeira cidade sem prefeito”

Foi em 1820 quando o nosso então prefeito Cremonildo Azevedo faleceu e não havia cidadão que quisesse candidatar-se ao cargo. …continua

Depois de uma longa história, que envolveu uma longa discussão entre os habitantes mais velhos da cidade, chegou-se ao seguinte estatuto:

Mandamento de Girassois

  1. Somos responsáveis por todo o lixo que estiver em pontos públicos; quem for pego sujando a cidade, será julgado pela comissão girassoniana
  2. Cada morador deve ficar atento aos cuidados com a sua calçada e também com o vizinho, principalmente se ele morar sozinho ou for idoso. Em caso de urgência, acione o plantão médico da cidade
  3. O pouco lixo não-orgânico gerado por cada um deve ter uma forma de ser reaproveitado. NUNCA jogue na lixeira, tente encontrar alguém da cidade que possa reaproveitar o material. (o Zezinho dos entulhos está fazendo uma lista)
  4. Cada morador pode consumir 2,3 mil litros de água por mês
  5. A cada ano, uma equipe será responsabilizada pela manutenção de construções públicas da cidade
  6. Não há necessidade de usar carros, que podem poluir o ambiente e causar acidentes. Nós compartilhamos as nossas bicicletas e charretes – todo caminho em girassóis é curto

Por último:

“Os turistas são bem-vindos e convidados a aprender a vier em harmonia com a gente”

Fui embora e lembrei daquela placa “o mundo é feito de cada um de nós”

 

 

 

Um grito em silêncio

tumblr_m9agk4RIfa1r2tt9ko1_500

Betinha estava irritada. Muito irritada. E não sabia nem porquê, mas logo colocou a culpa na cidade grande. Ah, aquele falatório incessante, aquelas duras horas de trabalho, as pessoas que sujavam as ruas, o caminhão de lixo que a acordava todas as madrugadas.

Betinha teve uma ideia. Arrumou as malas e foi passar uns dias em um retiro. Encontrou um lugar bem longe para que, ao percorrer aquela longa estrada, pudesse esquecer, aos poucos, os ruídos, os falatórios, a falta de educação alheia.

Depois de horas sentada em um ônibus não muito confortável, ela avistou uma bela paisagem.

Betinha chegou lá. Desceu do ônibus e olhou, satisfeita, para as montanhas. Respirando fundo, sussurrou: “Enfim, só paz e natureza!” Ela jantou e, logo depois, foi para o seu quarto.

Betinha dormiu feito um anjo. Acordou assustadoramente cedo para os seus padrões, tomou o café da manhã, participou das aulas de yoga e meditação, tudo com grande satisfação. Ela almoçou e ouviu o gongo tocar – que anunciava o início do período de silêncio.

Silêncio. Momento perfeito para relaxar ainda mais, escrever, filosofar, pensar ou até desenhar.

Só que não. É que ela estava dormindo em um alojamento só para mulheres. As paredes eram finas e era possível ouvir até a respiração de quem estava no quarto vizinho. Betinha tinha escolhido ficar sozinha, mesmo em um quarto com duas camas. A ideia foi ótima, mas ela não sabia que isso não resolveria o seu problema. Quando Betinha pegou o lápis para começar a jogar as suas emoções no papel, algo estranho aconteceu.

Betinha pulou de susto. Duas vozes estridentes começaram a ecoar do quarto ao lado. Pareciam senhoras, e eram senhoras do interior. Depois de um dia cheio de atividades relaxantes, elas estavam alucinadas para dividir as suas experiências. Enquanto Betinha queria desabafar com o caderno, as duas senhoras desabafavam sobre seus divórcios, meteram o pau nas cunhadas, nas vizinhas. Naquela noite, ninguém saiu ileso. Era de dar dó.

Betinha deu graças a Deus por não ser um parente próximo das suas vizinhas. Depois de algumas horas, começou a pensar que fazia parte de um quadro de pegadinhas de algum programa de TV, mas ela olhou por todos os lados e  não havia câmeras. Betinha dormiu e, no dia seguinte, decidiu fazer uma caminhada. Pegou uma trilha longa e distante.

Betinha voltou a tempo para a meditação. As regras do lugar davam a liberdade de não falar com ninguém, nem mesmo usar gestos. Era o sonho de Betinha, não precisar se comunicar com nenhum ser humano. Quem disse que isso seria possível? Enquanto caminhava para a sala de meditação, Betinha cruzou com uma das senhoras do quarto ao lado. Não adiantou disfarçar, uma delas abriu um baita sorriso – em silêncio – para Betinha. Contrariada, mas querendo ser gentil, Betinha sorriu de volta.

No caminho para o quarto, Betinha correu para não se encontrar com ninguém e deitou abraçada com seu caderno de anotações, esperando que as palavras viessem. Ela respirou profundamente e quando soltou o ar, ouviu bem embaixo da sua janela. “Veja só Berenice, como esse terreno está sujo! Como pode um lugar como esse ter tanto plástico no meio da natureza? Eles mesmos não sabem que isso é energia ruim?”

Sim, claro, as senhoras escolheram a janela de Betinha para conversar. E ainda era horário de silêncio – não entre elas. “Clarice, se eu tivesse um rastelo aqui, já limpava isso tudo menina”. E, assim, a conversa durou quase uma hora. Parecia ter sido um dia inteiro na cabeça de Betinha.

Betinha conseguiu dormir. Desta vez, decidida a acordar e conversar com o guru, aquele que tem todas as respostas. Ela estava inquieta demais com toda aquela situação e precisava de ajuda. Na verdade, ela adoraria presenciar uma bronca do guru naquelas senhoras falantes.

Betinha acordou e foi de cabeça erguida ao encontro ao guru. As senhoras também foram. Desta vez, elas nem levantaram a cabeça. Sem sorrisos, sem acenos, sem comentários. O guru deveria intimidá-las. Logo, Betinha sentiu raiva por ver que a sua vingança estava indo por água abaixo. Betinha sentou e esperou pelo guru.

Betinha levantou a mão e perguntou: “as pessoas falam demais, e isso me incomoda. Até busquei um retiro para isso. O que devo fazer?”

“Compre um protetor auricular. Se a crise não passar, talvez esparadrapos resolvam”, respondeu o grande guru

Todos riram da resposta, inclusive as senhoras.

E Betinha continuou irritada

Fabi Schiavon

Os seus próprios mandamentos

Há quem tenha certa dificuldade de encontrar uma religião. A maioria delas tem regras, o que ajuda a manter a sociedade em ordem, mas o exagero delas pode brecar o conhecimento, a evolução. Partindo do ponto de vista que seria legal sermos pessoas melhores a cada dia, não dá para ficar empacado na própria culpa ou preso a uma ideia fixa. Com esse dilema em mãos, sem encontrar um meio-termo por aí, comecei a criar a minha própria religião (inspirada em muitas religiões que já existem). Não fiz isso no sentido de me tornar uma nova “messias”. Por que se for assim, aí eu estarei criando uma nova religião e pessoas vão seguir os meus padrões e deixar de criar os seus próprios. A ideia, para quem quer que leia este registro, é servir de inspiração para que todos criem suas próprias regras, sua própria religião. Aí, o mundo terá a religião da Maria, do João, da Joaquina. Pode até ser que alguém se identifique mais com uma ou com outra, mas nunca, nunca deve segui-la como regra. E isso, só isso, pode ser uma regra. Outro dia, li um conto de Machado de Assis. Nele, um homem discursava, em uma roda de amigos, sobre sua teoria de que homem tem duas almas. A alma de dentro e a de fora. Disse ele que “a alma de fora pode até ser um botão de camisa”, pois ela é tudo aquilo que nos mantém vivos, felizes, o que nos dá razão de viver. E que isso, pode mudar a todo o tempo, sem regra.  Achei essa ideia um bom princípio básico de sobrevivência. Se cantar me faz feliz agora, pode ser que eu mude para dançar, depois para correr, depois para comer muito chocolate. É isso. Sobre a alma de dentro não me importa explicar agora. É simplesmente aquela que faz a gente se sentir vivo. Falando em princípios, só esse não foi suficiente, então criei algumas regras básicas. Por enquanto, são meus quatro mandamentos:

  1. Não faça com ninguém, aquilo que você não quer que façam com você
  2. Não se apegue demais a nada. Nada é seu, nem meu. Ninguém é de ninguém
  3. Mas…trate tudo o que está a sua volta com muito amor e carinho e receberá tudo isso de volta, de alguma maneira. Se não receber, pelo menos terá feito sua parte na construção de um mundo melhor
  4. Trate bem também tudo o que está a sua volta. A cidade em que você mora, os bichos, o cimento, a pedra. O que quer que seja. Isso mantém a frequência da Terra ao seu favor ou, então, o planeta vai girar mais feliz (no mínimo)
  5. Não leve tudo tão a sério (dica da Paula, deixada nos comentários)
  6. Livre-se da culpa. Ela não serve para nada, é o que sempre dizem. Mas, a gente sempre esquece

Em edição infinita…

Para fugir do Valdir

a - duel 3Se o alarme do meu relógio falha ou eu dou aquela cochilada fatal, acabo pagando um preço alto.

Logo que chego no trabalho, avisto de longe qual é o motorista da vez. E, de novo, é o Valdir.

Ele dá bom dia e caminha lentamente até o carro, enquanto eu começo a contar os minutos que estou atrasado. Ao longo do trajeto que ele faz até chegar a mim, Valdir anda meio balançando e vai cumprimentando todos os outros motoristas. Um a um.

Tenho apenas 20 minutos para chegar ao meu destino, mas Valdir faz questão de sintonizar uma rádio preferida antes de partir. Está calor, então, com a oportunidade de um primeiro semáforo, ele arregaça as calças e coloca os óculos escuros. Sim, agora ele se sente pronto.

Talvez minha falta de diálogo o faz entender a minha pressa e a desaprovação com a falta de modos dele. Valdir então avança sem dó para cima dos outros carros. Faz um tremendo esforço para não xingar alto, mas buzina e levanta os braços chamando os outros motoristas para a confusão.

O caminho com Valdir é sempre mais longo, talvez porque ele parece certo de que não faz ideia da melhor rota.

Eu pensei. Estou sendo chato com o Valdir? Devo denunciá-lo pela falta de modos? Devo dizer que ele não é bom de caminhos?

Não. Nada disso. Deixa o Valdir ser quem ele é.
Eu é que vou mudar. Vou começar a acordar meia hora antes. Só para fugir do Valdir

Fabi Schiavon

Queira ser um elfo

elfo

…não porque eles são bonitinhos, altos, magros….

Eu nunca entendi porque, na história de “O Hobbit” e de “O Senhor do Aneis”, Frodo e o seu tio Bilbo sempre fraquejavam por um anel – se ele era a causa do mal em toda a Terra Média.

Basta olhar para as nossas próprias vidas. Às vezes estamos bem, moramos bem, temos bons amigos, uma boa família, mas todos nós temos um anel que nos fraqueja. Temos a nossa kriptonita. Sempre. As histórias nos livros, nos quadrinhos, nos cinemas sempre se repetem. E na vida real também.

Os elfos são os únicos que quase nunca sucumbem. Quando isso acontece, em poucos segundos eles retomam a sua consciência e fazem o que é melhor para eles e para todos – mesmo que a primeira aparência não seja tão atraente.

É preciso ser forte por dentro. Não é necessário ter orelhas pontudas ou parecer com a Cate Blanchet. Muito menos estar malhado e sem celulite. Basta escolher o melhor caminho. Bastar ser aquilo que você quer ser, não o que os outros esperam de você. Assim, forte, nós nunca vamos sucumbir a quem nos quer fazer mal.

Fabi Schiavon